A importância da agricultura

Frente a frente com uma grande meta

A agricultura possui uma meta grandiosa: alimentar, vestir e ser parte da solução da matriz energética para os 9,7 bilhões de pessoas que a ONU prevê que irão habitar o planeta até 2050. Para isso, até lá será preciso aumentar em 70% a produção agrícola, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), apesar de uma disponibilidade limitada de terras agricultáveis e água e de uma crescente pressão ambiental.

Além disso, temos cada vez menos pessoas dispostas a ficar nas zonas rurais. Pela primeira vez na história, a maior parte da população mundial já vive em áreas urbanas. Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a classe média mundial vai mais do que dobrar, de 2 bilhões de pessoas atualmente para 4,9 bilhões em 2030.

O crescimento populacional associado ao incremento da renda especialmente em países em desenvolvimento está aumentando o consumo mundial de alimentos, roupas e energia. O projetado aumento de renda de países em desenvolvimento trará um aumento no consumo de proteínas, que se relaciona diretamente com o consumo de soja e milho. A diferença de consumo entre países desenvolvidos e em desenvolvimento deverá diminuir.

Vivemos uma fase acelerada de mudanças de paradigmas tecnológicos, e o uso intensivo de tecnologia será cada vez mais indispensável à agricultura. Alguns eventos científicos recentes foram cruciais para a evolução agrícola até os patamares atuais, como o aprofundamento do processo de cruzamento de espécies (breeding) do final do século XIX, a “revolução verde” nas décadas de 1940,1950 e 1960 e o advento da biotecnologia na década de 1980.
A nova revolução na agricultura baseada em tecnologia deverá ter como base a sustentabilidade, com foco na preservação ambiental, tornando-se inclusive parte da solução para reduzir as emissões de gases do efeito estufa através do uso de combustíveis renováveis como etanol e biodiesel.

O Brasil é (grande) parte da solução

Vantagens do setor agrícola brasileiro

O setor agrícola brasileiro cresceu rapidamente nas últimas décadas, com incremento de produtividade, bem como a expansão e consolidação de novas fronteiras agrícolas.

Os investimentos em pesquisa agrícola e tecnologia para a agricultura tropical foram grandes diferenciais que tornaram possível a incorporação dos Cerrados brasileiros em uso produtivo. Segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), uma das principais razões para o sucesso da agricultura na região do Cerrado foi o desenvolvimento de um pacote tecnológico de sucesso com ênfase nas novas variedades adaptadas às condições de baixas latitudes. Há abundância de chuvas e a topografia é altamente favorável à mecanização.

  • Temperatura alta estável ao longo do ano (notadamente na região do Cerrado)
  • Tecnologia desenvolvida pelos centros de pesquisas
  • Tecnologia desenvolvida pelos centros de pesquisas
  • Abundância de terras para o cultivo
  • Boa qualidade dos solos
  • Topografia plana
  • Abundância de chuvas e de sol

O Brasil hoje ocupa lugar de destaque no agronegócio mundial, estando entre os maiores produtores e exportadores de produtos agrícolas e derivados, tendo sido responsável por 15% das exportações globais de grãos, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em 2014. O país apresenta plenas condições para ocupar espaço ainda maior no cenário internacional de produção de alimentos e biocombustíveis, pois tem vantagens competitivas em relação aos demais países produtores agrícolas do mundo, além de ser o país com o maior estoque de terras agricultáveis+. Tal competitividade deve-se aos fatores climáticos favoráveis à produção e à abundância de terras agricultáveis. Um relatório recente da OCDE em conjunto com a FAO aponta o Brasil como o principal exportador de alimentos do mundo na próxima década(https://www.fao.org.br/download/PA20142015CB.pdf).
O agronegócio representou em 2014 22% do PIB brasileiro, de acordo com o Ministério da Agricultura, e as exportações agrícolas têm sido as grandes responsáveis pelo superávit na balança comercial do país, como demonstra o gráfico a seguir.

Produto Produção Exportação
Açúcar 1 1
Café 1 1
Suco de laranja 1 1
Complexo de soja 2 1
Carne Bovina 2 2
Etanol 2 2
Carne de Frango 3 1
Milho 3 2
Carne suína 4 4
Algodão 5 3

Fonte: (USDA, Foreign Agricultural Service 2015). RFA 2015

A história da agricultura no Brasil

Veja como a agricultura se tornou um de nossos pilares econômicos

Agricultura indígena

A agricultura já era uma prática conhecida pelos nativos brasileiros, que cultivavam principalmente alguns tubérculos, além de realizarem o extrativismo vegetal de diversos outros cultivares da flora local – quer para alimentação quer para subprodutos como a palha ou a madeira – e ainda de frutas nativas.

Brasil colonial

Logo após o descobrimento, as riquezas naturais não haviam se revelado promissoras até a introdução da produção de cana-de-açúcar na região Nordeste. A economia brasileira passou então a ser dependente da exportação do açúcar, que não possuía muito acesso a mercados, vindo a declinar na segunda metade do século XVII.

Brasil Império

O café foi introduzido no país ainda no final do período colonial. No entanto, foi somente após a independência que a produção foi consolidada na região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo. A imigração de europeus se acentuou com a produção do café no oeste paulista, com a chegada, sobretudo, de italianos ao país.

A diversificação agrícola

O atraso observado no campo não atendia mais à demanda dos grandes centros urbanos, e cidades como São PauloRio de Janeiro e Recife sofriam com escassez de gêneros básicos como açúcar, trigo, feijão e outros.

Durante o regime militar, foi criada a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), com o objetivo de impulsionar e diversificar a matriz agrícola do país. O órgão foi responsável pelo desenvolvimento de novos cultivares, adaptados às condições peculiares das diversas regiões do país.

Teve início a expansão das fronteiras agrícolas para o Cerrado, um grande marco na histórica agrícola brasileira, e assim começaram a surgir grandes produtores com sistemas em escala semi-industrial de soja, algodão, milho e feijão.

Em 1960, eram quatro os principais produtos agrícolas exportados. No começo da década de 1990, passaram a dezenove. O avanço nestes trinta anos incluiu também o beneficiamento: nos anos 60, os produtos não beneficiados eram 84% do total exportado, taxa que caiu a 20% no começo da década de 90.

CALMON, Pedro: História do Brasil, São Paulo, 1939, vol.

ARRUDA, José Jobson. História Integrada: da Idade Média ao nascimento do mundo moderno. 2ª ed. São Paulo: [s.n.], 1996. 

BAER, Werner: A Economia Brasileira, Nobel, São Paulo, 2ª ed, 2003

ARRUDA, José Jobson de A.: História Moderna e Contemporânea. Ática, São Paulo, 13ª ed., 1981

Antonio César Ortega e Emanoel Márcio Nunes (2001). Agricultura Familiar: por um projeto alternativo de desenvolvimento local. Visitado em 5/7/2010.

Embrapa/Agrobiologia. 49 Anos Dedicados à Pesquisa em Microbiologia do Solo (em português). Visitado em 13 de dezembro de 2009.

Maria Yedda Linhares (12 de abril de 1999). Pesquisas em história da agricultura brasileira no Rio de Janeiro. Visitado em 22 de dezembro de 2009.